O mentor não é o melhor profissional da equipa. Não é o que sabe mais. Não é necessariamente o mais sénior. O mentor é a pessoa que melhor consegue acompanhar o desenvolvimento de outra — e isso exige um conjunto de competências muito específicas, que raramente coincidem com excelência técnica.
Os 5 requisitos essenciais
1. Experiência relevante para o mentee
Não basta ter feito carreira. É preciso ter atravessado situações semelhantes àquelas que o mentee enfrentará. Um director financeiro pode ser excelente mentor para outro director financeiro, mas pode não ser para um líder operacional. A experiência tem de ser transferível.
2. Disponibilidade real (não apenas teórica)
"Posso ser teu mentor, quando precisares aparece" não é mentoring. É disponibilidade reactiva. Mentoring exige sessões agendadas, presença ativa e preparação. Um mentor que não tem 4 horas mensais para o mentee não está disponível.
3. Capacidade de escuta ativa
Esta é a competência mais subestimada. A tentação de qualquer mentor experiente é dar a resposta logo nas primeiras palavras do mentee. Mas o valor do mentoring está em fazer o mentee chegar à sua própria conclusão, não em servir-lhe a do mentor. Perguntas abertas, pausas longas, reformulação.
4. Maturidade emocional
O mentor vai ouvir frustrações, inseguranças, dúvidas. Vai testemunhar erros. Se o mentor projeta as suas próprias inseguranças, ou se torna a relação dependente da sua validação, falha. Mentoring saudável requer que o mentor esteja resolvido com a sua própria carreira.
5. Capacidade de manter confidencialidade absoluta
Tudo o que é dito numa sessão de mentoring fica nessa sessão. Sem excepções. Se o mentor partilha (mesmo anonimamente) com colegas as situações dos mentees, a relação acaba. A confidencialidade é a base do contrato implícito.
O que NÃO é necessário
- Ser o líder da empresa. Bons mentores podem ser pares mais experientes, não chefes.
- Ter formação académica em coaching. Ajuda, mas não é determinante.
- Idade. Há mentores de 35 anos que funcionam melhor que mentores de 60.
- Carisma. O mentor não tem de ser uma figura inspiradora. Tem é de ser útil.
Em programas estruturados de mentoring corporativo, o trabalho mais importante acontece antes da primeira sessão: identificar quem na organização tem o perfil de mentor — e formar essas pessoas para o serem bem.
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